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Mancha-de-mirotécio: manejo integrado durante o clima chuvoso

Manejo integrado reduz risco na soja


Foto: USDA

A mancha-de-mirotécio, causada pelo fungo Myrothecium roridum, tem ampliado sua importância nas lavouras de soja em regiões de clima úmido e verões chuvosos, especialmente em sistemas de plantio direto com elevada presença de restos culturais. O manejo da doença exige integração entre monitoramento constante, práticas culturais, escolha de cultivares e uso racional de Fungicidas, segundo orientações técnicas reunidas pela Embrapa Soja e pela Embrapa.

O fungo é descrito como um patógeno necrotrófico, capaz de atacar folhas, hastes, pecíolos e vagens da soja. Em condições favoráveis, as lesões provocam redução da área fotossintética, desfolha precoce e comprometimento da formação dos grãos.

De acordo com os materiais técnicos da Embrapa Soja, o ambiente de verão chuvoso, comum entre novembro e abril em grande parte das regiões produtoras, favorece diretamente o desenvolvimento da doença. Chuvas frequentes, alta umidade relativa do ar e temperaturas entre 20°C e 30°C criam condições ideais para germinação de esporos e infecção das plantas. “Chuvas frequentes aumentam o tempo de molhamento foliar e a salpicadura de esporos do solo e de restos culturais para a parte aérea”, destaca o conteúdo técnico.

O documento também aponta que lavouras com alta densidade de plantas e excesso de massa verde dificultam a circulação de ar no interior do dossel, prolongando o período de umidade nas folhas e ampliando o risco de infecção.

A identificação correta da doença é considerada essencial para evitar confusão com outras manchas foliares comuns na soja, como cercosporiose, antracnose e mancha-parda. Entre os sintomas observados estão manchas necróticas circulares ou irregulares nas folhas, lesões escuras em hastes e pecíolos e danos em vagens e ramos reprodutivos.

Segundo as orientações técnicas, a confirmação do agente causal pode exigir análise laboratorial. “Para confirmar o agente causal, recomenda-se envio de amostras a laboratórios de diagnóstico fitopatológico”, informa o material.

Os impactos da doença variam conforme o estágio da cultura, a intensidade da infecção e as condições climáticas. Em áreas com alta pressão de inóculo, a mancha-de-mirotécio pode provocar redução do enchimento de grãos, queda no peso de mil sementes e aumento do custo de manejo devido à necessidade de aplicações adicionais de fungicidas.

O monitoramento da lavoura aparece como a principal ferramenta para tomada de decisão em períodos de maior umidade. As recomendações indicam inspeções frequentes desde a emergência da cultura, intensificando a observação após o fechamento das entrelinhas, principalmente no terço inferior das plantas. “Em períodos de chuvas recorrentes, inspecionar semanalmente, avaliando principalmente o terço inferior das plantas, onde as primeiras lesões costumam aparecer”, orienta o documento.

O manejo cultural é apontado como uma das principais estratégias para reduzir a pressão do fungo na safra 2025/26. A rotação de culturas com espécies menos suscetíveis, o manejo adequado da palhada e o ajuste da densidade de semeadura estão entre as práticas recomendadas pela Embrapa Soja.

As orientações também destacam a importância da escolha de cultivares com melhor desempenho sanitário e arquitetura que favoreça maior circulação de ar no dossel. Embora não existam materiais amplamente classificados como resistentes à doença, há diferenças de tolerância entre cultivares disponíveis no mercado.

No caso do controle químico, os fungicidas são tratados como ferramenta complementar dentro do manejo integrado. O conteúdo ressalta que nem todos os produtos utilizados para ferrugem asiática apresentam a mesma eficiência sobre Myrothecium roridum. As recomendações ainda incluem rotação de mecanismos de ação para reduzir o risco de resistência de fungos, além da necessidade de seguir rigorosamente as orientações de rótulo, bula e receituário agronômico.

As publicações técnicas da Embrapa reforçam que o manejo da mancha-de-mirotécio deve ser integrado ao controle de outras doenças foliares e de final de ciclo da soja, buscando reduzir a pressão de patógenos e minimizar custos de produção em anos de alta pluviosidade. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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